O Riso de Bergson

O riso: Ensaio sobre o significado do cómico

BERGSON, Henri (1900- )

 [Le rire], trad. de Guilherme de Castilho, Lisboa, Guimarães Editores, 1993.

“O Riso: Expressão dum sentimento” – Sentimento – (informação sentida pelos ser vivos numa determinada situação)

O riso cómico

O riso é qualquer coisa que fixa a atenção. O riso olhado como ação humana. O riso é uma ação da inteligência (razão). O riso como ação social (acção coletiva)

O riso permite ultrapassar o ato mecânico. É uma expressão do acaso. É um momento para o qual converge a ação do grupo.

  1. Quando um efeito cómico deriva duma determinada causa, o efeito é tanto mais cómico quanto mais natural for essa causa (pag. 23).

Por exemplo, na comédia o riso mostre a tensão e a elasticidade social. Não há comédias individuais. A comédia é um mecanismo social de ligação da vida à arte.

  1. Cómico todo o incidente que chama a atenção para o físico duma pessoa quendo é a moral que está em causa (pag 45). O riso chama a atenção para o ridículo. O riso isola o físico e mostra a rigidez do espírito.
  2. A formação do Riso

a)      O riso mostra o sonho/pensamento. A ideia do rídiculo emerge da extensão do pensamento

b)      A rigidez da forma. Seja do físico ou do espírito, que conduz à exaustão. O riso liberta a tensão

c)      O riso circula de forma e formas inimagináveis, e cria em cada um uma perda da conexão cultural com o que lhe antecede. Faz emergir o ridículo.

O riso pode ser uma ferramenta de amansar os indivíduos. (pag. 98). O riso é o oposto duma emoção.

As condições para o riso: É necessária uma situação de insociabilidade e de insensibilidade. O riso captura um momento. Nesse sentido o cómico é uma passagem. Uma trnasfiguração.

O riso dos defeitos evidencia algumas qualidades.

O riso é um modulador de qualidades. Permite o reconhecimento de si e dos outros. O riso, como fenómeno de grupo lima as arestas rígidas dos grupos.

O cómico emerge como algo fora do senso-comum. O inadaptado é cómico.

O riso tem a mesma natureza do sonho. O riso é como a espuma das ondas. As ondas lutam em tensão na superfície, enquanto nas profundezas estão calmas. A espuma lançada na areia não são mais do que gotas, salgadas e amrgas.

 

Capítulo 3 – Sobre a  Comédia

Neste capítulo o autor aborda o significado social do riso. Depois de nos dois capítulos anteriores ter procurado esclarecer porque é que o homem é cómico, isto é se o ser cómico é uma questão de carácter ou de circunstância; e de ter prosseguido para a busca das razões do riso, isto é de procurar explicar como é que o riso se instala, conclui que o riso decorre da conjugação da situação, das pessoas e da sociedade.

O Riso está para além do sentimento (da alegria e da tristeza, das paixões ou dos vícios). Ele apenas emerge quando deixamos de nos comover. Desse modo o riso é como que uma caixa de ressonância dos sentimentos dos indivíduos. Isso leva-o à formulação duma hipótese de que o riso procura uniformizar o individuo ao social. Uma ferramenta que molda o comportamento do indivíduo na sociedade por agregação das semelhanças e repulsão das diferenças.

Desse modo a comédia, o género de teatro que provoca o riso está entre a arte e a vida. Enquanto o drama, a narrativa dramática, apela à profundidade do ser; a comédia é dirigida à vida.

A Comédia pode inverter os princípios morais. Mas o riso só emerge quando se ultrapassa a emoção. O riso emerge dos gestos. Das acções puras. Não obriga a distinguir valores. A comédia dirige-se ao geral.

Os sentidos apenas fornecem uma visão prática do mundo. A consciência é construída sobre os dados dos sentidos. Os dados dos sentidos tendem a apagar as diferenças inúteis e a relevar a que são imediatamente úteis. O processo de categorização apaga o individual e releva o geral. As propriedades comuns. Opera por associação.

Nós movemo-nos num campo fechado de palavras e símbolos. O ser em movimento, vai traduzindo a sua realidade num campo simbólico. O seu desenraizamento produz uma poética do momento. Essa poética é uma ação. Uma acção que deve ser entendida como um movimento estruturante. Uma busca da agregação ou do sentido.

Nesse sentido a arte permite destabilizar o individuo. A partir dessa destabilização, da produção do seu “deseenraizamento” a arte procura facilitar uma nova percepção do mundo. É esse movimento, de destabilização que busca um novo reequilíbrio que permite que o individual emerja. Uma fixação dum novo indivíduo. Desse modo, uma das significações da arte será o de produzir uma significação social no indivíduo. A comédia, partindo do indivíduo constrói um acto social.

Ora a comédia é a construção dessa ato social. A comédia fixa caracteres. O valor da comédia é reunir o individual ao total. Na comédia o humor representa o social. A comédia representa o ponto de passagem entre a arte e a vida.

A comédia permita criar uma ponto de passagem de regresso à natureza. (pagina 119).

2. Como se constrói o riso?

O riso resulta de pagar em algo que é real (que tem potencial de cómico) para o transformar em ridículo. A ilustração do ridículo.

3 Para que serve o riso ?

O riso uniformiza os comportamentos. Ao colocar as linguagens em contexto, acentua as suas características. Acentua as lógicas profissionais ou de grupo. As regras são consideradas como verdades pelos diferentes membros do grupo. O riso acentua as regras por via da sua demonstração.

  1. Qual é o lógica do cómico

A lógica do cómico é o absurdo. O Cómico emerge duma obstinação do espírito, do carácter, da distração e do automatismo dos atos. Nesse sentido, o absurdo cómico é da mesma natureza do sonho. (o livro é publicado em 1924. Ver o ajustamento disto aos Sonhos Freud). O riso é semelhante ao sonho acordado. Há na lógica do risível uma semelhanças com a lógica do sonho.

No sonho o espírito procura a materialidade por via da imaginação. No sonho procura-se perceber os sentidos do que se sonha para dar corpo à lembrança. No riso a imaginação e a lembrança relevam os sentidos da vida.

Dada uma forma risível, os outros, por semelhança serão também risíveis (pag. 129). Através do jogo das ideias risíveis, o riso pode associar-se ao sonho.O sonho permite ultrapassar a lógica do raciocínio e associar diferentes ideias. A oservação do cómico atua por semelhança com a observação dos sonhos.

O riso uma vez desencadeado leva um crescando por associações sobre associações.

  1. Qual o benefício do riso

O riso permite criar simpatia. Cria uma situação de relaxamento. Uma situação de descontração propícia a colocar-nos em contacto com o mundo. O riso é uma forma de libertação. Tem como objetivo criar um efeito social. O riso é espontâneo.

O Riso é um sinal significativo do que se passas na profundidade da mente. O riso são como gotas de espuma da força das água na profundidade. No riso encontra-se a vida.

 

 

 

Algumas citações de O riso de Bergson, a título de comentário ao visionamento dos filmes de Buster Keaton…

 “A expressão cómica do rosto é aquela que não promete mais do que aquilo que patenteia. É uma máscara única e definitiva. Dir-se-ia que toda a vida moral do indivíduo cristalizou naquele sistema. E é por isso que uma cara é tanto mais cómica quanto melhor nos sugere a ideia de qualquer acção simples, mecânica, em que a personalidade ficasse para sempre condensada”.

“Automatismo, rigidez, jeito adquirido e conservado, eis os motivos por que uma fisionomia nos faz rir.”

“As atitudes, gestos e movimentos do corpo humano são risíveis na medida exacta em que esse corpo nos faz pensar numa simples mecânica.”

“Imitar alguém é pôr em evidência a parte de automatismo que essa pessoa deixou introduzir em si. É pois, por definição, torná-la cómica; e, assim, já não nos admiramos que a imitação faça rir.”

“Rimos sempre que alguém nos dá a impressão duma coisa.”

“É cómico todo o arranjo de actos e acontecimentos que nos dá, inserindo-os uns nos outros, a sensação nítida de um arranjo mecânico.”

“A criança diverte-se a ver uma bola lançada contra os mecos deitar tudo abaixo à sua passagem, multiplicando os estragos; e mais se ri ainda quando a bola, depois de voltas e meias voltas, de hesitações várias, torna ao ponto de partida. Por outras palavras: o mecanismo que acabamos de descrever já é cómico quando é rectilíneo mas é-o ainda mais quando se torna circular e quando os esforços da personagem, por uma engrenagem fatal de causas e efeitos, têm como resultado trazê-la pura e simplesmente ao mesmo sítio”

“O gesto, assim definido, difere profundamente da acção. A acção é querida, consciente em todos os casos; o gesto é automático.”

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